O normal virou gordo e o desnutrido virou normal

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Lady Gaga está fora de forma? Rita Lobo não é saudável? Polêmicas em torno do peso da cantora pop ou das receitas originais da cozinheira revelam que a busca por um estilo de vida fit se transformou numa obsessão pouco saudável

Especialista explica a diferença entre ser magro e desnutrido (Foto: Getty Images)

Uma das últimas vítimas da ditadura da magreza, a cantora Lady Gaga sofreu bullying ao aparecer com a barriga de fora durante o show no intervalo do Super Bowl, no último dia 5. Acusada de estar fora de forma, a estrela, que está linda e saudável, respondeu aos haters dizendo ter muito “orgulho de seu corpo”. Três dias antes, a Miss Canadá Siera Bearchell também foi alvo de críticas na rede por não estar tão magra quanto as outras candidatas que participaram do concurso de Miss Universo. Na ocasião, a jovem de 23 anos foi chamada de “gorda” mesmo sem estar acima do peso, enquanto a vencedora, a francesa Iris Mittenaere, cujo IMC de 18,3 kg/m² é considerado grau 1 de desnutrição, recebeu elogios ao desfilar usando roupas de banho.

“Esses dois episódios mostram como nossa referência de corpo bonito está viciada: o normal virou gordo e o desnutrido virou normal”, afirma Cezar Vicente Jr., nutricionista e supervisor do Ambulatório de Anorexia Nervosa do Programa de Transtornos Alimentares da USP.

Na busca por um padrão de beleza inatingível, inspirado em musas fitness e afins, as pessoas adotam dietas cada vez mais restritivas (e sem eficácia realmente comprovada), transformando o ato de se alimentar num processo que traz mais dores de cabeça do que prazer. Prova disso foi a polêmica na qual se envolveu a apresentadora de TV e cozinheira Rita Lobo. Ao ser questionada por um seguidor no Twitter sobre o motivo de não fazer uma maionese com óleo de coco e iogurte ao invés de gema de ovo e óleo, ela respondeu: 1) Porque não é maionese; 2) Trate seu distúrbio alimentar”’.

O episódio destaca a tendência dos aficionados por uma dieta saudável de trocar os produtos de preparações tradicionais por outros considerados mais saudáveis, mania que pode se tornar uma obsessão. Para Vicente Jr., na maioria dos casos, isso não faz sentido pois o gosto, a associação culinária, o sabor e o cheiro são outros. “A alimentação deixa de ser um hábito saboroso e cultural para se transformar quase num remédio”, explicou o nutricionista. “Quando os pacientes trocam um alimento pela versão light ou fit, percebo que passam a comer mais, acreditando ser ‘permitido’”, diz ele. “Eles tentam também encontrar o sabor original, mas isso nunca acontece”.

Para o especialista, essa busca por alternativas vale somente para quem de fato possui algum tipo de intolerância ou alergia. A obstinação por uma dieta muito restritiva não somente não proporciona uma vida mais saudável, como provoca, em muitos casos, o efeito oposto. “Quanto mais a pessoa utiliza métodos de controle de peso inadequados para ter o ‘corpo perfeito’, maior é a tendência a engordar”, afirma o nutricionista.

A razão disso é que dietas da moda como o jejum intermitente _de até 12 horas sem se alimentar_ ou low carb _ poucos carboidratos_ fazem o organismo se programar para economizar energia no futuro. “A memória genética registra a perda de peso provocada por um método radical como risco à vida”, diz Vicente Jr. É por isso que, uma mesma dieta, como a Dunkan (que permite apenas o consumo de proteínas), pode funcionar numa primeira vez, mas perde a eficácia numa segunda tentativa.

Para o nutricionista, não há segredo: para manter o corpo em forma ou perder e ganhar peso, é preciso ter hábitos saudáveis e, se for preciso, buscar a ajuda de um profissional da saúde. “A maioria das pessoas nunca está satisfeita com o que vê no espelho. A função do nutricionista é, também, ajudar a combater esses ideais de beleza”, concluiu.

FONTE ORIGINAL DA MATÉRIA:
Marie Claire

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